quinta-feira, 8 de julho de 2010

“O mundo vai falar brasileiro”

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Por Leonardo Martins


É com estas palavras ditas pelo Presidente da FIFA, Sepp Blatter, que o Brasil se prepara para a Copa do Mundo em 2014. Um pouco desta festa programada daqui 4 anos foi vista nesta quinta-feira em Joanesburgo, em uma solenidade que foi bastante concorrida. Também, nesta quinta foi lançada a logomarca do Mundial do Brasil.

Foi uma solenidade de exaltação ao que o país tem de melhor, com muita dança, música e várias personalidades do futebol brasileiro e da política. Na parte musical, foram a festa os grupos Barbatuques e Bossa Nova, e a cantora Vanessa da Matta, que chegaram a levantar os presentes com a musica brasileira de ótima qualidade.

Dentre as personalidades presentes a festa brasileira, falaram o Presidente da FIFA, Sepp Blatter, que ressaltou o legado que a Copa trará ao Brasil depois do Mundial. “...Futebol é importante para o futuro dos jovens. A Copa do Mundo vai desempenhar um importante papel social e econômico para o país. Chegou a hora de vivermos um outro idioma, chegou a hora de falarmos português, brasileiro... Desejo todo sucesso ao Brasil. Até breve...” disse Blatter.

O Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, foi na mesma linha de Blatter e falou que a Copa no Brasil será transparente e ecologicamente correta. Falaram que eu tinha cinco minutos, mas democraticamente como presidente a gente pode extrapolar. Não serei mais presidente a partir de 1º de janeiro de 2011 (quando terminará o seu segundo mandato), mas continuarei brasileiro, amante do futebol e podem contar comigo para o que for necessário. Quero que a gente faça a melhor Copa do Mundo que um país já foi capaz de fazer. E tenho certeza que o Brasil será capaz disso.”, conclui o presidente.

Já o Presidente do Comitê Organizador da Copa de 2014 e da CBF, Ricardo Teixeira, chamou o mundo para estar no Brasil em 2014 e ressaltou a paixão do brasileiro para com o futebol. “Que o mundo se prepare para ser mais brasileiro a partir de 2014. “Brasileirar” vai ser o novo verbo proferido pelo planeta. Será inesquecível. Todos estão convidados...”, disse Teixeira.

- Logo da Copa mostra a unidade do país

A FIFA também aproveitou para mostrar a logomarca oficial da Copa do Mundo de 2014. A logo, escolhida entre 25 por um júri composto por gente famosa, como Ivete Sangalo, Hans Donner e Oscar Niemeyer, mostra um país, mesmo com suas diferenças sociais, unido para a realização da Copa 2014. O desenho mostra mãos segurando o mundo no formato da taça da Copa do Mundo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Furia finalmente na final

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Por Leonardo Martins


Teremos um novo campeão do mundo neste domingo, ontem havia se classificado a Holanda, hoje foram os espanhóis que se classificaram a final do Mundial. Assim como na final da Euro em 2008, a Espanha venceu a Alemanha por 1 a 0 em Durban e garantiram a inédita classificação a Final de uma Copa do Mundo.

As duas equipes entraram com apenas uma alteração em suas equipes. Do lado Alemão foi forçada, Trochowski entrou no lugar de Muller, suspenso. Já do lado da Fúria, Vicente Del Bosque decidiu apostar na estrela de Pedro, que gosta de fazer gols em decisões, e barrou o inócuo (nesta Copa) Fernando Torres. No mais, promessa de jogo limpo e aberto.

E foi isto que se confirmou no jogo, claro que com a Espanha superior aos germânicos, tanto na posse de bola como na quantidade de chutes a gol. A “la Roja” fez seu melhor jogo do mundial, coincidência ou não, por causa da entrada de Pedro, que deu mais mobilidade ao sistema ofensivo. As chances apareceram para a Fúria, aos 5 Villa quase chutou e Neuer fez grande intervenção. Aos 13, foi a vez de Puyol aparecer livre de cabeça e testou por cima.

A Alemanha sentiu claramente a falta de Muller e não foi aquela equipe que encantou o mundo até as semifinais, ficou presa ao jogo espanhol e nos 45 minutos iniciais, só chegou com Trochowski em um chute defendido por Casillas e num pênalti reclamado por Ozil. Sem gols, a primeira etapa terminou com perspectiva de pressão espanhola na segunda etapa.

E esta pressão veio com uma seqüência impressionante de chutes da Fúria, mas a bola não quis entrar. Xabi Alonso, por duas vezes, e Villa tentaram, mas a Jabulani foi teimosa e não entrou. Na base do toque de bola, a equipe vermelha chegou a mais uma boa jogada, mas Villa não alcançou a bola de cabeça.

Os germânicos acordaram com Klose em chute que passou por cima, mas logo a “La Roja” respondeu com Sérgio Ramos que aproveitou cruzamento de Xabi Alonso. Nova chance germânica, Kroos, que entrou no lugar de Trochowski, apareceu na diagonal e mandou a bomba, obrigando Casillas a fazer grande defesa.

Mas eis que surgiu Puyol e sua cabeleira marcante. O capitão do Barcelona, um dos líderes da equipe espanhola, aproveitou bela cobrança de escanteio de Xavi e mandou a bola de cabeça longe do alcance de Neuer. Festa em Durban da Espanha e o sonho da inédita final mais perto.

A Espanha ainda poderia ter chegado ao segundo gol, mas Pedro preferiu enfeitar o lance em vez de fazer o passe a Torres, que acabara de substituir o artilheiro Villa. Mas não fez falta, e o resto é alegria e tristeza. Alegria de uma seleção que alcança um feito inédito. Tristeza de uma seleção que jogou bonito, que encantou o mundo, mas que, desta vez, não estará na final. Espanha ou Holanda, Holanda ou Espanha. O grupo dos campeões mundiais terá um novo integrante no domingo.
Uma coisa que temos que lembrar sobre o jogo: “E não é que o Polvo palpiteiro acertou mais um jogo da Alemanha”, o polvo do aquário de Obernhausen na Alemanha que ficou conhecido ao acertar os jogos da Alemanha. Ele tinha apostado em vitória espanhola e acertou na mosca. Ficamos no aguardo do palpite para o jogo final, será que ele acerta o grande campeão?

Os dois últimos jogos do Mundial estão definidos. No sábado, em Porto Elizabeth, jogam Uruguai e Alemanha pelo 3° lugar. A grande decisão da Copa acontece domingo no Soccer City entre Holanda e Espanha.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Laranja eficiente faz mais uma vitima e está na final

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Por Gabriel Seixas

- Quando o assunto é Holanda nesta Copa do Mundo, não há como fugir do lugar-comum. Tal como a Alemanha (cada uma à sua maneira, claro), a Oranje consagrou de vez a absorção de um novo estilo de jogo, deixando de lado o futebol-arte batizado de Carrossel em 1974 e adotando um futebol prático, objetivo e que vem dando resultados. Ilustre como quiser a ótima fase dos holandeses: são 25 jogos de invencibilidade, sendo que desde as eliminatórias o time ostenta 100% de aproveitamento. Alguém ousa a contestar o plantel holandês como finalista deste Mundial?

- Pela campanha, pelos desfalques e principalmente pelo espírito de luta, sem desistir do placar até o último minuto, o Uruguai também merece aplausos pelo que fez em solo africano. Num determinado momento em que a Celeste parecia sem forças para reagir, diminuiu a vantagem holandesa para 3 a 2, e mesmo que não tenha conseguido ir além disso, caiu de pé. Sem Lugano, Fucile, Lodeiro e Luis Suarez, mais uma vez coube a Forlán chamar a responsabilidade (dessa vez praticamente sozinho) de criar as jogadas. Ele tentou, foi um dos destaques do jogo, mas não deu.

- Na etapa inicial, a personagem do jogo foi a Jabulani. A maior inimiga dos goleiros não perdoou nenhum dos que estiveram em campo no jogo de hoje. O uruguaio Muslera, que já havia falhado no jogo passado, quando não alcançou um chute de muito longe (e defensável) do ganês Muntari, falhou no gol de van Bronckhorst, que colocou a Holanda na frente. Aliás, que golaço! Um chute da intermediária, do flanco esquerdo, que morreu no ângulo. Indefensável. Aos 35 anos, ele se tornou o holandês – e o defensor em geral – mais velho a marcar um gol em Copas.

- A partir daí, o cenário já estava pronto. Tal como aconteceu nas outras partidas em que a Holanda assumiu a vantagem no placar, todos esperavam que a Oranje oferecesse o campo para o adversário e respondesse apenas nos contra-ataques, ou tocando a bola (aparentemente) sem muita objetividade. Basicamente, foi o que aconteceu. Contudo, o Uruguai tinha Diego Forlán. Assim como Sneijder e Robben, ele também merece uma vaguinha entre os melhores do Mundial. Enquanto esteve em campo (até ser inexplicavelmente substituído nos minutos finais), gastou a bola.

- Além de também ser craque, Forlán também sabe marcar gols, até mais do que os dois holandeses supracitados. Aos 41 minutos, ele anotou outro golaço no estádio Green Point, contando ainda com a colaboração especial do goleiro Stekelenburg, que falhou no lance e praticamente abandonou o posto de melhor goleiro da Copa. Diego poderia até ter rendido mais em campo, mas sentiu a falta de uma companhia. Cavani, que ora caía pelo lado direito, ora pelo esquerdo, foi insuficiente, mas teve boa participação.

- Os desfalques de Fucile e Lugano na zaga, que até então faziam excelente Mundial, também foram sentidos. No ataque, o artilheiro Luis Suarez também deixou saudades, mas depois da grande defesa que fez em cabeçada de Adiyiah no último minuto do jogo anterior, contra Gana, há quem diga que ele também defenderia a pancada de van Bronckhorst que resultou no primeiro gol holandês.

- van Marwijk, que muitos dizem fazer apenas figuração no banco de reservas da Holanda, foi decisivo no encaminhamento do jogo. Ainda no intervalo, substituiu o volante De Zeeuw por van der Vaart e mudou o ímpeto da equipe. O 4-1-4-1, com Kuyt, Vaart, Sneijder e Robben na terceira linha permitiu que o time encontrasse mais espaços para criar as jogadas, e consequentemente por em prática seu estilo de jogo. Mas é claro que isso não foi imediato, e pra isso os holandeses precisaram de muita paciência. Mas como pra eles é o que não falta...

- Coube aos craques resolverem de vez a partida. Enquanto Muslera deu uma ajudinha extra no primeiro gol, este papel ficou a cargo do árbitro uzbeque Ravshan Irmatov no segundo. Sneijder arriscou um chute do flanco esquerdo e o goleiro Muslera acabou atrapalhado por van Persie, que em posição irregular, permitiu que a bola passasse entre suas pernas. Não há como comparar este lance ao gol anulado de Lampard e ao validado de Tevez, por exemplo, pois foi questão de milímetros. Entretanto, o resultado foi o mesmo: um prejudicado, o outro favorecido.

- Outro holandês acima da média chama-se Arjen Robben. Hoje ele foi bem mais discreto, chamando pouco a marcação pelo lado direito, mas quando apareceu em campo, foi decisivo. Cinco minutos após o gol de Sneijder, ele recebeu cruzamento de Kuyt e colocou a bola no cantinho de Muslera, que nem se mexeu. Pra quem diz que Robben é um jogador previsível, que não tem variação de jogadas (sempre cortando pro meio e batendo de perna esquerda), foi um balde de água fria. E como o jogo era na África do Sul, foi mais fria ainda.

- Aparentemente abrindo mão do jogo, Tabarez inexplicavelmente trocou Forlán por Sebastian Fernandez. Quando um craque deixa o campo por opção do treinador, é sinal de que nada está bem. E não estava: o Uruguai perdia o jogo e não criava alternativas para marcar gols. Pelo menos até o lateral Maxi Pereira, nos acréscimos, descontar o placar. Fazendo jus a tônica desta Copa, nascia ali uma nova partida, ainda mais emocionante.

- Até o apito final de Irmatov, com dois minutos de atraso, por sinal, os uruguaios lutaram até o fim pelo gol de empate. Não precisava nem ser holandês ou uruguaio (ou botafoguense, risos) para ficar à flor da pele. Infelizmente, ainda há quem diga que esta é a pior Copa do Mundo dos últimos anos. Esta partida só comprova de que trata-se justamente do contrário.

- Muitas emoções ainda estão reservadas para esta Copa, que hoje definiu a Holanda como a primeira finalista. Nada mais justo para a seleção que apresenta o futebol mais eficiente (não confunda com futebol bonito) deste Mundial, além de ser a mais regular dos últimos anos. Já que o outro finalista será Alemanha ou Espanha, já podemos dizer com antecipação que esta será a primeira Copa fora da Europa que será conquistada por uma seleção europeia. Faça suas apostas!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Copa e suas maluquices

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Por Leonardo Martins


Um torneio que atrai a atenção do mundo, que é o caso da Copa do Mundo, gera algumas maluquices no mundo. A edição de 2010 não acabou, mas já gera algumas maluquices que entram para a história destas curiosidades em Copas.

Não podemos deixar de abrir este texto sem falar da musa da copa 2010, a Paraguaia Larissa Riquelme. Ela não foi a África, mas virou celebridade mundial por sua beleza estonteante. Lari, como é conhecida, mostrou um corpo com formas definidas, mas o que chamou a atenção do mundo foram os decotes usados pela modelo nos jogos do Paraguai e seios fartos (obra de silicone, é claro) que, dentro deles, a musa colocava seu celular, chamando mais ainda a atenção do mundo. Riquelme prometeu posar nua caso o paraguai eliminasse a Espanha e chegasse a semifinal, o Paraguai não chegou, mas ela vai posar nua mesmo assim, motivo “premiar” o esforço dos jogadores na Copa.

Outra estrela do Mundial neste outro lado é um polvo-vidente da Alemanha. O polvo do aquário de Obernhausen, acertou todos os palpites dos jogos da equipe germânica (inclusive a derrota para a Sérvia). O método é simples, é colocada dentro do aquário duas caixas com as bandeiras das seleções e a que o polvo for primeiro é quem vai ganhar a partida. Veremos se ele acerta outros jogos.

Agora vamos falar do roqueiro Mick Jagger, o líder dos Rolling Stones, foi taxado de pé-frio pelo mundo. Tudo começou quando ele foi assistir a partida dos EUA contra Gana que Jagger declarou torcida para os norte-americanos, resultado: derrota dos Estados Unidos. No dia seguinte, Jagger compareceu ao jogo de seu país contra a Alemanha e viu uma goleada sofrida para os alemães por 4 a 1. O ápice aconteceu na sexta quando o roqueiro foi ao jogo do Brasil contra a Holanda ao lado de seu filho brasileiro, Lucas, que estava com a Camisa do Brasil, o resultado todos vocês sabem. O fato gerou muitas brincadeiras no Twitter e na internet.

Enfim, a Copa não vive só de futebol, tem suas maluquices que fazem o esporte ficar mais divertido.

domingo, 4 de julho de 2010

Wimbledon se encerra com favoritos no topo

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Por Leonardo Martins


Em meio a Copa do Mundo, o terceiro Grand-Slam da temporada do Tênis foi disputado e se encerrou nesse fim de semana. Foi o Torneio de Wimbledon disputado na grama sagrada do All England Club, em duas finais sem surpresas, os favoritos não tiveram dificuldades para conquistarem o troféu.

- Serena arrasa na final

No sábado, a final feminina durou um pouco mais de 1h. Isso aconteceu devido ao show praticado por Serena Williams que arrasou a russa Vera Zvonareva. A número 1 dominou o jogo inteiro e não deu chances a russa, estreante em finais de Grand Slam. Serena venceu pela 4ª vez em Wimbledon, a segunda seguida, por fáceis 6/3 e 6/2.

- Nadal recupera coroa de Wimbledon

Um pouco mais de dificuldades teve Rafael Nadal, mas a surpresa do torneio, o tcheco Tomas Berdych, não foi páreo para o espanhol. Nadal impôs seu jogo agressivo no 1º set e venceu por 6/3. No segundo, Berdych endureceu o jogo, mas, mostrando um tênis de primeiro nível, o número 1 conseguiu fechar por 7/5. No set decisivo, o espanhol apenas administrou a vantagem e conseguiu uma quebra para fechar em 6/4. Foi o segundo título de Nadal na grama de Wimbledon e o título fez com que ele disparasse

sábado, 3 de julho de 2010

Em jogo repleto de emoções, Espanha elimina Paraguai

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Por Gabriel Seixas

- Quatro dos oito quadrifinalistas desta Copa do Mundo eram sul-americanos, fato que nunca havia acontecido na história dos Mundiais. Foi o suficiente para a imprensa, sobretudo do nosso continente, declarar sem medo de ser feliz que se tratava de uma “Copa América”. Entretanto, esqueceram que ainda haviam três europeus na disputa: Holanda, Alemanha e Espanha, além dos africanos de Gana, que acabaram eliminados. Pra quem se deixou levar pela superioridade numérica do Mercosul, se deu mal. Nos três embates “europeus x sul-americanos”, três vitórias das seleções do velho continente.

- Após os triunfos de Holanda e Alemanha sobre Brasil e Argentina, respectivamente, foi a vez da Espanha eliminar o Paraguai, vencendo por 1 a 0. Ou seja, só não teremos uma semifinal 100% europeia porque o Uruguai eliminou Gana e mantém a América do Sul na briga. A Celeste encara a Holanda, mas o grande embate desta fase é justamente o outro, entre a atual campeã e a vice europeia: Espanha e Alemanha.

- A reedição da final da Eurocopa em 2008 agora marca o duelo das semifinais desta Copa, que será disputada na quarta-feira (com Uruguai e Holanda se enfrentando um dia antes). Caso a Holanda vença o Uruguai, independente do resultado do jogo entre espanhois e alemães, será a primeira vez que uma seleção europeia vencerá uma Copa do Mundo fora de seu continente. Nas Copas de 86 (no México) e 94 (Estados Unidos) também tivemos três semifinalistas europeus, mas todos acabaram morrendo na praia.

- Mas vamos deixar o duelo dos continentes de lado e focar no que realmente interessa. Espanha e Paraguai fizeram um duelo digno de Copa do Mundo, que reuniu equilíbrio, emoção, dois pênaltis perdidos e o gol do jogo marcado a sete minutos do fim. Aos 38 minutos, David Villa garantiu a vitória da Espanha e também a artilharia isolada do Mundial até aqui, com cinco gols. Ele se igualou a outros nomes ilustres do futebol espanhol como o maior artilheiro da seleção em Copas.

- Contudo, quem esperava uma atuação envolvente do time espanhol acabou se frustrando um pouco. Méritos para o time paraguaio, que em muitos momentos do jogo adiantou a marcação e dificultou o toque de bola do adversário, que é justamente uma de suas maiores virtudes. Com Xavi e Iniesta bem marcados, foram poucas as jogadas insinuantes construídas pela Espanha no primeiro tempo. Esse panorama acabou obrigando Vicente del Bosque a fazer variações táticas, revezando do 4-2-2-2 para o 4-2-3-1 e mudando o posicionamento dos armadores e dos atacantes.

- Ainda que tenha atacantes de renome no plantel, o Paraguai ainda não conseguiu se desfazer de suas raízes. O ponto forte do time comandado por Gerardo Martino continua sendo o sistema defensivo, o que não é nenhum demérito. Entretanto, a falta de um armador de ofício prejudica a participação dos atacantes albirrojos nas partidas, principalmente no caso do centroavante, que hoje foi Cardozo. Até por isso, Martino trocou o habitual 4-3-3 pelo 4-2-3-1, reforçando a marcação e qualificando o toque de bola.

- O jogo truncado e sem inspiração dos dois times na etapa inicial deu lugar a um segundo tempo repleto de emoções, a flor da pele. Pelo lado espanhol, Xavi e Iniesta começaram a se soltar mais em campo, Villa abria o jogo pelo lado esquerdo e Fernando Torres continuava discreto. Visivelmente fora de forma, o artilheiro do Liverpool logo foi substituído por Fabregas, formação que del Bosque já poderia optar como a inicial. Só que a figura que começou aparecer em campo foi um guatemalteco: o árbitro Carlos Batres.

- Aos 12 minutos, ele marcou pênalti de Piqué em Cardozo no típico “agarra-agarra” na área. O mesmo Oscar Cardozo, artilheiro do Benfica e caracterizado pela frieza quando executa cobranças de pênalti, foi em direção a bola com um nervosismo incomum. Não deu outra: bateu mal, no canto esquerdo de Casillas, que encaixou a bola. No contra-ataque, naquele clássico lance de compensação, Batres ao meu ver exagerou ao dar pênalti de Alcaraz em Villa.

- Xabi Alonso se apresentou para a cobrança. Ele deslocou Villar e mandou pras redes, mas o árbitro alegou invasão dos jogadores de ambas as equipes (o que foi claramente ignorado no pênalti batido por Cardozo) e mandou voltar. Na segunda cobrança, Xabi, que havia batido no canto esquerdo, optou pelo direito e acabou parando na grande defesa de Villar. E Batres só não marcou o terceiro pênalti do jogo em quatro minutos porque não viu Villar derrubando Fabregas no rebote.

- No fim das contas, quem acabou se abatendo com essa sequência foi o Paraguai, principalmente Cardozo. Martino tentou mudar o ânimo e o ímpeto do time, lançando Vera e Santa Cruz, mas nada adiantou. Quem se deu melhor nas substituições foi del Bosque, que trocou Xabi Alonso por Pedro, e de quebra, ainda viu o suplente Fabregas crescer na partida. Faltando sete minutos para o final, a Espanha carimbou a vitória.

- Iniesta fez grande jogada pelo meio e serviu Pedro, que do flanco direito, dentro da área, chutou cruzado. A bola carimbou a trave e voltou para o artilheiro David Villa, bem posicionado, finalizar com consciência no rebote. A bola novamente carimbou a trave, mas desta fez teve um novo e feliz destino: as redes. É a Copa do Mundo de David Villa, artilheiro com cinco gols. A partir daí, foi só controlar o ímpeto do Paraguai e garantir o triunfo.

- Não foi das exibições mais convincentes, mas esse time espanhol já faz história. Cotado como favorito ao título antes do torneio, leva a Espanha pela primeira vez às semifinais de uma Copa. Ao Paraguai, restaram lamentações apenas por esta derrota, pois no geral, a campanha foi positiva, classificação a seleção albirroja pela primeira vez a uma fase quartas-de-final de um Mundial. Após o apito final, chamou atenção a reação de Cardozo, que perdeu a oportunidade de colocar o Paraguai na frente do placar, cobrindo o rosto com a camisa e ignorando qualquer tipo de solidariedade de paraguaios e espanhois.

- Vai sair faísca do duelo entre Espanha e Alemanha. São as duas equipes que apresentam o melhor futebol desta inédita Copa na África, mas é bom frisar que de forma alguma trata-se de uma final antecipada. É a tradição e a juventude do time alemão frente a eficiência e ao talento individual dos espanhois, que premiará um vencedor nesta quarta-feira. Imperdível!

Alemanha despacha Argentina e se garante nas semifinais

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Por Gabriel Seixas

- 13 gols marcados (melhor ataque), 2 sofridos, quatro vitórias em cinco jogos, dois dos cinco artilheiros da competição. Estes são apenas alguns números que só ilustram a irretocável campanha da Alemanha na Copa do Mundo, que até aqui, vem se mostrando o melhor time da competição. Nunca é demais elogiar a coragem e a ousadia do técnico Joachim Löw, que apostou em um elenco jovem e vem colhendo os frutos do ótimo trabalho, a cada jogo confirmando ainda mais o status de favoritos ao título.

- Na estreia, foram quatro gols pra cima da Austrália. Nas oitavas-de-final, uma atuação irretocável que culminou numa sonora goleada por 4 a 1 sobre a Inglaterra. Hoje, frente à Argentina, um convincente 4 a 0. Foi a quebra de um tabu de 20 anos sem vencer os argentinos, apesar de que, nesse período, os resultados mais importantes deste confronto tenham favorecido a Nationalelf. Na última vitória germânica até então, na Copa de 1990, foi justamente o triunfo que decidiu aquele Mundial a seu favor.

- Em 2006, Alemanha e Argentina também se encontraram nas quartas-de-final de uma Copa do Mundo. Nos 120 minutos de tempo normal e extra, empate em 1 a 1. Nos pênaltis, vitória da Alemanha, que terminaria aquele Mundial (no qual foi sede) em 3º lugar. Só que o futebol burocrático de quatro (e muitos) anos atrás deu lugar a um time jovem, ofensivo, e que a cada jogo, revoluciona a tradicional escola alemã – de forma positiva.

- A garotada alemã sobrou em relação aos comandados de Diego Maradona. Schweinsteiger foi o nome da partida, não só pelas duas assistências, mas pela ótima distribuição de jogo e qualidade na saída de bola. Simplesmente todas as jogadas trabalhadas da Nationalelf passam pelos seus pés. Enquanto os marcadores argentinos preocuparam-se com Özil (que ainda sim fez ótima exibição), Schweinsteiger teve liberdade para criar e se aventurar com muito mais frequência no ataque.

- O 4-2-3-1 germânico novamente funcionou com perfeição, mesmo porque ficou iminente a desorganização tática dos argentinos no campo de defesa. Se Jonas Gutierrez era um problemão na lateral-direita nos primeiros jogos da albiceleste, Otamendi não se mostrou um dos melhores substitutos, sofrendo com as descidas de Özil e Podolski. No meio-campo, apenas Mascherano marcava com eficiência, pois Di Maria e Maxi Rodriguez, muito abertos pelas pontas, foram improdutivos na marcação.

- Os 100% de aproveitamento dos argentinos na Copa até então mascararam de certa forma as limitações da equipe. Nem no ataque a equipe obteve êxito, com muitos chutes sem direção, e naqueles que acertaram o alvo, pouco trabalho a Neuer, que em nenhum momento foi obrigado a espalmar uma bola difícil. Higuaín ficou isolado na frente, Tevez se movimentou pouco e Messi...ah, Messi...os deuses não estavam a seu favor na África do Sul.

- Depois de quatro ótimas exibições pela Argentina neste Mundial, o craque do Barcelona foi pouquíssimo notado no jogo de hoje. Resultado: tudo o que fez em solo africano será apagado pelo fato de não ter marcado um gol em cinco jogos. O melhor jogador do mundo e grande artilheiro da última temporada europeia acaba ilustrando o fiasco da albiceleste, mas de forma alguma pode ser considerado responsável pela eliminação. Apesar dos inúmeros talentos individuais, faltou conjunto para a Argentina.

- E é justamente a mistura de talento individual e conjunto que faz da Alemanha o melhor time desta Copa (o que não significa que será campeã, obviamente). São jogadores que tem tranquilidade para trabalhar a bola, e quando percebem um companheiro em melhor posição para criar ou definir jogadas, não pensam duas vezes em servi-lo. Mais do que isso, o fato de abrir o placar no início de jogo fez a diferença. Aos 2 minutos, Müller aproveitou falta cobrada por Schweinsteiger e resvalou de cabeça, marcando seu quarto gol no Mundial.

- Por sinal, Müller foi (e vem sendo) taticamente providencial, mas recebeu o segundo cartão amarelo e será desfalque para a semifinal. Incógnita antes da Copa, hoje tem quatro gols e três assistências na conta, com apenas 19 anos. O entrosamento com Lahm – no Bayern de Munique e na seleção – impressiona, que hoje foi mais tímido, já que as melhores jogadas eram construídas pelo outro lado, nas costas do fraquíssimo Otamendi. A solidez defensiva, principalmente com a segurança que a dupla de zaga (Mertesacker e Friedrich) e principalmente de volantes (Schweinsteiger e Khedira) permitem, favorece o apoio dos laterais.

- Apesar da superioridade em campo, a Alemanha demorou para construir a goleada. Só marcou o segundo gol aos 23 minutos do segundo tempo, através de Klose, que aproveitou assistência de Podolski e tocou para o gol vazio. Pouco depois foi a vez de aparecer o homem do jogo, Schweinsteiger, que avançou pela esquerda, cortou Di Maria, Pastore e Higuaín e serviu o zagueiro Friedrich, recém-transferido para o Wolfsburg, que de carrinho, completou para o gol.

- Com a partida ganha, limitando-se a aproveitar os inúmeros erros do adversário, a Alemanha ainda encontrou o quarto gol. Em jogada de contra-ataque, Özil cruzou da esquerda para Klose, que de primeira, completou pro gol. E não foi só a Argentina que lamentou o gol marcado pelo artilheiro germânico. Ronaldo ‘Fenômeno’, maior artilheiro da história das Copas com 15 gols, agora vê Klose na sua cola com 14 gols marcados em Mundiais. Nesta que deve ser a última Copa do centroavante do Bayern de Munique, ainda lhe restam duas partidas para marcar ao menos um gol e igualar a marca. Superá-la também é um sonho absolutamente possível.

- Até maior que a capacidade de Klose de ser o maior artilheiro das Copas, só a da Alemanha de chegar a final deste Mundial. Se der a lógica, a Nationalelf reeditará o confronto da final da Eurocopa de 2008, encarando a Espanha, desta vez na fase semifinal de uma Copa. Seria precipitação dizer que é uma final antecipada, mas sem dúvida alguma, será um grande jogo. Duas equipes com estilos de jogo definidos, envolventes e encantadores. Definitivamente, essa não é a Copa das seleções sul-americanas.